Quando penso em almoço de domingo, logo lembro da casa da minha avó com todos os meus 24 tios reunidos, tendo cada um dois ou mais filhos, fora os agregados como em toda boa casa nordestina. Uma grande mesa... farta de comida. Mas, em meio a todo aquele barulho e maravilhosa agitação, havia uma figura digna de respeito. Sr. Nivaldo Pereira de Brito, o "painho", ou o "Seu" Nivaldo. Ao vê-lo, todos o reverenciavam. Ninguém sentava na mesa para comer antes dele, pelo contrário, ele chamava a todos: "Vamos almoçar!". Não havia televisão ligada, nem mais nenhum outro som além da comunhão naquela grande cozinha, com gente sentada por todo canto da mesa, comendo, conversando e dando boas risadas. A mesa era o principal móvel da casa. O mais importante!
Aos poucos, a sociedade contemporânea foi perdendo a beleza e a intimidade desse momento, da reunião em volta da mesa onde com os olhos se troca confidências, ombro a ombro... nessa mesa os conflitos eram resolvidos, e outros iniciados. Onde amigos viravam membros importantes da família e desconhecidos, íntimos de longa data. Deus gosta de estar sentado a mesa.
O que se pode ver hoje, em uma resumida parte da família, com um monólogo constantemente interrompido pelo silêncio é uma televisão dominadora das emoções, a única capaz de sensibilizar aos corações, uma pizza e cada um acomodado em seu lugar preferido. Nos tornamos distantes um do outro devido a valorização do fast de alguma coisa, "consumidores de produtos e produções de baixa qualidade" como diz Osmar Ludovico. Assim, bloqueamos qualquer tentativa de contato, comunhão e intimidade.
A sacralidade e a beleza desse momento em torno da mesa é a expressão mais profunda da comunhão cristã. Isso revela o desejo de Deus de participar conosco do nosso "pão com manteiga", além da manifestação da sua justiça, de que haja pão, vinho e amizade em cada mesa, de cada família.
É impressionante que na mesa do Senhor não há trevas. Ele é luz! Não há lugar para glutonaria, conversas de assuntos constrangedores, olhares invejosos nem preferidos em si mesmo. Não há incoseqüentes, nem interessados nos seus próprios negócios, que se dizem irmãos mas, agem como lobos famintos.
Mesa do Senhor para celebração da ceia, mesa de todo dia em família, mesa da festa com os amigos, onde a presença mais importante é daquele que misteriosamente se faz presente em seu grande desejo de conviver e se fazer companheiro dos homens. Ele é a fonte de amizade e encontro, Emanuel, o Deus vivo que quer participar conosco na igreja aos domingos, na refeição simples do cotidiano e também em nossas festas e celebrações.. em torno de uma mesa!
Há um convite para a celebração, assim como na casa de Zaqueu: "Eis que estou a porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo" - Ap. 3.20.
*há sitações de Osmar Ludovico.
quinta-feira, maio 08, 2008
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